Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo… isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar….. isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos…isto é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida… isto é um princípio da natureza. Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado….. isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto. Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma…

Francisco Buarque de Hollanda

No Escuro

29 Abr
2010

Lavo sua vida no sangue de minhas mãos machucadas,
toma meu calor, no poder do amor, para retomar sua vida.
Renasça no amanhã, ainda mais forte, diante dos meus beijos,
já que agora, tu permanesces congelada diante meus ensejos.

Minhas palavras podem não ser as mais sábias,
mas ainda assim são as que tenho como apoio.
Posso talvez não ter o mais corajoso coração,
mas ainda assim minhas atitudes não são em vão.

Me perdi no tempo e nos objetivos que um dia tanto defendi.
Já caminho pelo mundo sem saber o nome das coisas,
sem saber quem é quem ou se um dia ja me surpreendi.
O escuro é tão solitário e a solidão é tão escura.

Ritielle Souza

godot

Um peça escrita por Samuel Beckett em 1952 que possui uma profundidade e atualidade excepcionais. Sendo uma peça do chamado teatro do absurdo é as vezes de difícil ou talvez enigmática interpretação, o que acaba gerando diversas leituras de acordo com o espectador.
A peça fala de dois amigos que esperam durante dias e dias a vinda de Godot, o qual jamais saberemos quem é. O próprio Beckett foi questionado sobre quem seria Godot e sua resposta foi: “Se soubesse o teria dito na peça.”.
Durante a espera, a monotonia preenche seus corpos e os dois conversam sobre tudo para que o tempo se arraste e mesmo assim tudo se passa tão lentamente.
A peça se iniciando com a frase: “Nada a ser feito.” Já demonstra a visão de futuro e expectativa dos personagens. Dormindo em valas e apanhando sempre dos “mesmos”, os personagens continuam suas vidas aguardando a chegada de Godot. Em uma analogia simplista já podemos considerar esses mesmos carrascos e castigadores como nossos sofrimentos da vida, estamos sempre apanhando e muitas vezes aguardando por um milagre que há de vir, ou alguém que há de chegar para salvar nossas vidas das futilidades e do decorrer banal que nos envolvemos às vezes durante anos.
Outro personagem intrigante nos mostra que por mais que sejamos capazes ainda nos perguntamos: “Por que não largamos as bagagens?”. Por vezes, somos competentes, pensadores, formadores de opiniões e nos deixamos ser comandados simples e puramente por ficar segurando o passado, ou ficamos presos a conceitos e imposições culturais, sociais ou religiosos.
Podemos mudar nosso caminho. Podemos simplesmente não ficar só esperando nosso milagre, ou nossa oportunidade de mudar a vida. Podemos alterar quem somos a partir do que fazemos.
A esperança pode ser o mensageiro desse milagre pelo qual aguardamos, sempre nos mandando esperar. Algumas vezes é necessário contar com o pior, não ouvir essa esperança que nos mantém estáticos e ainda aguardando por Godot.
Recomendado.

violencia psicologica

Me impressiono ao ver o quanto algumas pessoas são deficientes de consciência.
Marx falava de uma coisinha chamada Alienação e agora entendo mais ou menos o que ele gostaria passar através dessa idéia.
Hoje, quantas pessoas sabem que 3% de toda a floresta amazônica ja é uma região pré-desértica, pura área degradada.
Que 1/5 das emissões de gases que reflexionam no efeito estufa acontece por causa do desmatamento.
Que cerca de 13 milhões de hectares de florestas no mundo todo já foram destruídos.
Que 13 milhões de hectares equivalem ao tamanho da Grécia.
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Que o nível dos mares está aumentando em 0.01 a 0.02 metros por década devido ao aquecimento global e dentro de pouco tempo alguns países insulares no Oceano Pacifico estarão submersos.
Que o aumento da temperatura no século XX provavelmente é devido a efeitos antropogênicos (do homem).
Que em muitos países seres humanos morrem de fome ou não tem condições sanitárias adequadas para viver.
Que o Brasil possui um índice de violência mais alta que países em conflitos como Colômbia e Palestina.
Aposto que muitos não fazem idéia, mas quando se pergunta quanto foi o jogo do Corinthians no último final semana todos se tornam comentaristas esportivos.
Humanos são as criaturas com a inteligência mais potêncial de todo o planeta Terra e onde gastamos isso? Como utilizamos nossas habilidades?
As vezes não tem como esquecer de que somos realmente só macacos. Macacos que cresceram demais ou pensaram demais.

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Enquanto o povo está alienado e ocupado comemorando, se orgulhando ou lamentando suas batalhas campais, que por muitas vezes realmente se tornam verdadeiras batalhas com muitas vítimas, outra casta da população planeja sorrateiramente como governar nossa nação de forma que mais dinheiro caia em suas próprias contas bancárias.

Interesses privados e econômicos ardilosamente vão agredindo nações e por vezes o ambiente em que vivemos. Somos nós, humanos que destruímos o lugar onde vivemos, os sistemas que nós mesmos criamos para nos organizar.
Stephen Hawking, um físico e doutor americano já dizia que “Ainda não é claro se a inteligência é uma vantagem de sobrevivência. Insetos e bactérias continuarão vivendo alegremente mesmo se nossa bendita inteligência nos levar a uma inevitável destruição”.

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Enquanto tudo isso ocorre ao nosso redor vamos sentar e assistir um jogo de futebol. Vamos escolher um time para torcer e matar por ele, vamos escolher uma religião na qual acreditar e matar por ela. Vamos escolher um líder político e ideológico e matemos por ele.



Avante Macacos, avante!!!

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“Como pode ser bárbaro um povo que tem como
maior abstração de triunfo o grito de gol?”
Carlos Drummond de Andrade

Antiguidade

30 Nov
2009

Uma onda amanheceu em meu peito.
Essa dor que explode meus sentidos.
A doença que me envolve e fica em meu leito,
me fazendo lembrar de tantos sonhos partidos.

Só quero por hoje ficar quieto e tranquilo.
Só quero chorar minhas lágrimas de esquecimento,
por viver em meio a meu passado, meu azilo.
sem ser julgado ou posto a prova de um sentimento.

Tem dias que os olhos simplesmente marejam,
dias em que o coração aperta e o peito explode.
Manhãs não tão coloridas como as que almejam,
e mesmo assim meu sofrimento implode.

Nesse dia que por dias foi de felicidade,
hoje me lembra a tristeza, minha necessidade.
Ja fui seu maior presente, nesta data de saudade.
Suma dor pungente, me deixe em minha verdade.

Ritielle Souza

Texto: Verdades

23 Set
2009

talking-to-yourself

A vida é mesmo tão engraçada.
Um dia você descobre que suas vontades desapareceram. Que seus sonhos foram consumidos pelo grande vazio dentro de você.
Que a rotina e o comodismo é mais anestesiante que tentar correr atrás de seus desejos.
Começa então um longo período e atitudes que não fazem parte da sua natureza, que não fazem parte de seu eu. Continuamente se pergunta se tudo isso é mesmo algo que vem de você ou se está apenas desacordado, deixando sua consciência livre para sonhar, viajar e delirar em locais e coisas que jamais faria por você mesmo.
Mas sempre existe a hora de acordar. Sempre existe o momento em que iremos despertar. E quando este momento chegar será a hora definitiva, os últimos momentos de um sonho infame, onde sonhamos ser bons, onde sonhamos estar de bem com o mundo.
Estou pronto para ser eu mesmo novamente. Pronto para voar acordado mais uma vez. Fazer com que o mundo lembre do meu nome e me elogie pelo que sou ou me odeie pelo que faço. Assim sou mas dormindo estou.

Conto – A lâmina

17 Jun
2009

lamina

Ela tentava olhar ao seu redor, tentava reparar em tudo que existia naquele ambiente quente e úmido, mas não conseguia. A única coisa que entrava no seu campo de visão era a lâmina, fria, afiada, ausente de sentimentos.
Alí estava seu destino, nua no banheiro de sua imensa casa vazia, mais uma vez ela pensava na morte.

Aos poucos concentrava-se em morrer e podia lentamente voltar a ouvir a água do chuveiro ligado a cair no piso de cerâmica clara que custara tão caro e mesmo assim insistiu a seu marido que comprasse.
E a lâmina alí, estática, fitando seus olhos claros com o brilho harto que somente seu poderoso fio de corte poderia emanar. Uma navalha de barbearia ornamentada que ela e seu marido haviam comprado em uma de suas viagens a Itália, antes das meninas nascerem.

Que ironia do destino, algo que compraram juntos para se tornar uma lembrança bonita ser agora a ferramenta para lembrança tão triste. Mas talvez a vontade de criar esta ironia tenha sido o impulso para que ela escolhesse tal ferramenta.

Mais uma lágrima caiu e se misturou a água quente que escorria do chuveiro. Mais um pensamento que surgia da dor e se misturava a vontade de cessar tudo, de escurecer tudo.
Ela olhou para a pia onde as gêmeas haviam escovado seus dentinhos sozinhas pela primeira vez, olhando para ela com as bocas cheias de pasta de dente e sorrindo. A dor era tamanha que a lâmina cedeu mais um pouco e foi se aproximando mais da pele suave e bem tratada de seu pulso. A hora se aproximava.

A vida sozinha não era suportável, não podia continuar sem eles, sem carinho, sem risadas ou sem amor. E tanto que ela havia pedido, tanto que ela havia rezado para encontrar alguém naqueles anos passados quando morava com seus pais e tinha tantas espinhas. Seu primeiro terço foi lhe dado por sua mãe no seu aniversário de dezesseis anos. Era de madeira com uma medalha de Nossa Senhora no lugar onde haveria de estar a cruz com o Cristo. Foi com ele enrolado em seus pulsos que ela orava todas as noites antes de dormir para que amasse alguém de verdade, para que vivesse uma história digna de filmes. E agora, alí estava o terço. A única coisa que vestia. Seu terço de madeira no pulso esquerdo, ferramenta que usou para orar também enquanto aguardava o médico trazer notícias de sua família. Mas ao contrário de antes, desta vez o terço não lhe concedeu o que pedia em suas orações. Agora sua ferramenta de alívio era outra, a lâmina.

Seu corpo começava a dar sinais do tempo que estava em baixo da água do chuveiro, enrugando-se. A dor a trouxe um pouco de volta quando a lâmina entrou suavemente em seu pulso. Pode ainda pensar neste momento o por que não fora digna de ficar como eles, como seu marido e como as gêmeas. O carro era o mesmo, a única diferença era o banco no qual estava sentada. Um homem que havia bebido demais dormiu no volante de seu caminhão e avançara pelo lado do motorista do carro em que estavam passeando naquela noite. As gêmeas brincavam no banco traseiro. O marido brincava com ela enquanto dirigia despreocupado. Ela brincara com as gêmeas, poucos momentos antes do acidente. Um último instante de alegria e tudo lhe foi tirado. Estranhamente todas as ferramentas estavam lá naquela noite, o terço, a lâmina, as gêmeas, o marido.

Voltou a si quando a lâmina cortara o terço junto com sua pele, ela já havia avançado centímetros pulso abaixo e adentro. Não havia volta. Deixou o terço partido no chão e trocou a lâmina de mão enquanto ainda possuía forças. Estava feito. O outro pulso agora também chorava. A vermelhidão atingira a clareza do piso de cerâmica tão caro. Passava pela pia dos primeiros sorrisos escovados. A Lâmina batia ao chão enquanto a mulher já não mais existia, assim como sua tristeza, assim como seu marido e assim como suas filhas.

Ritielle Souza

Melinyë

30 Abr
2009

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Que chama é esta que queima minha memória?
Quando divago só o que me resta é seu olhar.
Tenho no meu peito mais que amor, uma história,
que a tantos gostaria de contar.

Passa o tempo, sempre tão injusto ou incerto,
e me pergunto se ao menos é feliz.
Se ilude o mundo de peito aberto,
tanto quanto eu, minha linda atriz.

Ainda guardo rancor do destino,
por afastar-te. Um amor tão promissor.
Choro por ser este arauto do desatino,
sempre recordando de nosso calor.

Sua voz ainda faz da minha, euforia.
Amarre seu pulso ao meu mais uma vez
com suas velhas linhas, como quando jovem faria.
Deixe seu lábio tocar o meu em um talvez,
que quando jovem, jamais desperdiçaria.

Ritielle Souza

Ao seu lado

28 Abr
2009

seulado

Eu nem mesmo sei o por que,
meu desejo é ser seu guia,
não lhe deixar nas sombras,
ser para sempre sua companhia.

Seu escudo, sangrar em seu lugar.
Deixar a carne se estraçalhar,
se bem você estiver, sem chorar.

Que eu tenha força, para ser seu suporte,
em qualquer dificuldade, sua dor seja minha,
olhando seu bem estar, nem temerei a morte,
e que possa nunca lhe deixar sozinha.

Em suas noites sombrias, durante seus pesadelos
estarei ao seu lado, para em meu peito você se deitar,
e seu sono, mais leve, poderá se tranqüilizar,
e quem sabe, seus mais belos sonhos, possa mante-los.

Dedico-me, porque esta é minha sina,
dedico-me, porque este é meu prazer.
Morrer por ti, amor que não imagina,
viver em ti, luz que me faz crescer.

Destino eterno que só faz cantar,
para sempre em suas mãos, o gosto do tocar.
Diga-me o quanto precisa de mim,
e lhe direi o quanto preciso lhe amar.

Recital

17 Abr
2009

Estou inaugurando no blog uma idéia que me bateu nos últimos dias. Resolvi gravar algumas de minha poesias em audio e coloquei para vocês ouvirem na sessão recital aqui do blog. Espero que gostem.
Se alguém tiver a vontade de colocar a voz em uma de minhas poesias entre em contato comigo, será um prazer.

Boa leitura e agora, boa audição. ;)

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